quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Meio-fio

Hoje enquanto caminhava com minha filha mais nova, pude ver dentro de um carro estacionado, uma mulher recolhendo as lágrimas num lencinho de papel, chorando sozinha. Minha filha por outro lado, empolgada, me puxava para ver alguma coisa na esquina, alegre como sempre. Enquanto tentava acompanhá-la, pensei no contraste daquele momento. A tristeza e a alegria. A escuridão é definida como a ausência da luz. Assim, concluo que ela existe porque a luz existe. Será que é assim com a tristeza e a alegria?
A escuridão se vai quando acendemos uma vela mas o que será suficiente para dissipar a tristeza? Uma alegria, efêmera que fosse, conseguiria fazê-lo? Não há escuridão que possa apagar a chama de uma vela, mas que alegria poderia estancar o choro daquela mulher? E se recebêssemos a proposta de nunca mais ter que chorar em troco de nunca mais poder rir? Alguém que estivesse envolto pela escuridão talvez achasse a penumbra atraente, mas e aquele que está triste? Será que aquela mulher aceitaria trocar a tristeza pela apatia? À luz (ou sombra) dessa minha analogia, percebo que minhas escolhas me levaram a viver a maior parte do tempo na penumbra.

Queria saber o que fez aquela mulher chorar...

0 comentários: