quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Meio-fio

Hoje enquanto caminhava com minha filha mais nova, pude ver dentro de um carro estacionado, uma mulher recolhendo as lágrimas num lencinho de papel, chorando sozinha. Minha filha por outro lado, empolgada, me puxava para ver alguma coisa na esquina, alegre como sempre. Enquanto tentava acompanhá-la, pensei no contraste daquele momento. A tristeza e a alegria. A escuridão é definida como a ausência da luz. Assim, concluo que ela existe porque a luz existe. Será que é assim com a tristeza e a alegria?
A escuridão se vai quando acendemos uma vela mas o que será suficiente para dissipar a tristeza? Uma alegria, efêmera que fosse, conseguiria fazê-lo? Não há escuridão que possa apagar a chama de uma vela, mas que alegria poderia estancar o choro daquela mulher? E se recebêssemos a proposta de nunca mais ter que chorar em troco de nunca mais poder rir? Alguém que estivesse envolto pela escuridão talvez achasse a penumbra atraente, mas e aquele que está triste? Será que aquela mulher aceitaria trocar a tristeza pela apatia? À luz (ou sombra) dessa minha analogia, percebo que minhas escolhas me levaram a viver a maior parte do tempo na penumbra.

Queria saber o que fez aquela mulher chorar...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Mundo moderno.

Você talvez se assustasse se pudesse ver como as coisas estão hoje. Aquelas fitas cassete e os LPs quase que não se usam mais. E as músicas... provavelmente você se decepcionaria se ouvisse algumas que fazem hoje. Mas lamento que algumas das boas você nunca vai ouvir.
Hoje existe uma coisa chamada internet que facilitou e melhorou muito a vida das pessoas mas mesmo assim elas em si ficaram piores. Estou tentando ao máximo conservar os poucos amigos que tenho porque mesmo sendo tão fácil se comunicar, as amizades seguiram o mesmo caminho das músicas - se tornaram vazias e desinteressantes. Deve ser por isso que sinto tanta falta das nossas conversas. De poucas pessoas eu guardo as palavras como até hoje guardo as suas. Porquê você se calou? Porquê? Agora o silêncio grita a sua ausência que soa como uma guerra... batalhas de cada dia contra a falta que você faz me fazem pensar que a alegria é como a história, que é escrita por aqueles que vencem a guerra. A morte é apenas mais uma batalha e a dor é o espólio daqueles que ficam.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Onde estou?

Moro em uma casa, mas ainda não me mudei para lá....
Sou membro de uma igreja, mas ainda não me membrei nela...
Quando estamos em algum lugar que não nos agrada parece que embora estejamos lá fisicamente, nossa mente está em outro lugar. Cheguei à conclusão de que vivo numa casa onde ainda não moro e sou membro de uma igreja da qual ainda não faço parte. Dessa conclusão me veio à mente uma pergunta: se não estou nesses lugares , onde então, eu estou?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

E agora, para onde?

Há caminho que ao homem parece direito, mas o seu fim são caminhos de morte (Provérbios 14:12)...

Numa noite fria de agosto, há muitos anos, esse foi o fim de um dos caminhos que escolhi. E a minha vida trilha o caminho que se iniciou daí e que se abriu em muitos outros. Dentre uma miríade de desvios eu queria saber qual me levou a esse estado. Seria possível escolher caminhos que me levassem de volta àquela encruzilhada? Quem dera! Agora eu vejo que podemos não escolher sozinhos os nossos caminhos, mas sozinhos colhemos os frutos à beira deles, doces ou amargos.
Não há nada de novo no que escrevo, o que é novo para mim é descobrir que no meu caminho só tem lugar para uma pessoa: eu. Pensei que poderia ter alguém comigo, mas esse alguém trilha seu próprio caminho que às vezes segue paralelo ao meu - e às vezes não, dependendo das escolhas que faço.
Quem pode me dizer para onde vai o caminho que vou escolher amanhã? Há alguém que sabe, mas Ele quer que eu descubra sozinho... Então é isso: vou tomar um dos caminhos e provavelmente vou pensar que o outro era melhor, porque num dos caminhos que escolhi há tempos atrás encontrei algo que me faz pensar assim.